domingo, 27 de julho de 2014

"O MODELO DOS MODELOS"



Italo Calvino
Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.
 
No texto de Italo Calvino, o paradigma inicial do senhor Palomar pode ser lido como uma boa metáfora às relações que estamos habituados a fazer entre nossos conceitos e a realidade. De modo geral, já temos em mente, sobre pessoas e situações, expectativas baseadas em um modelo idealizado e sobre os quais esperamos sempre uma correspondência perfeita com a realidade. Este tipo de relação ou “regra” é bastante evidente quando se pensa em educação escolar. Historicamente, a escola foi preparada para lidar com “os modelos perfeitos” e eliminar aqueles que não estivessem em conformidade com ele, deixando-os a margem do processo ensino-aprendizagem. Atualmente, após grandes avanços e conquistas legais em relação a construção de uma educação escolar mais democrática e universalizada, estamos como o senhor  Palomar, aos poucos, nos soltando das amarras deste modelo, para nos abrirmos a uma grande variedade de modelos e de realidades. Neste sentido, o papel do AEE é atuar como uma espécie de “lentes do senhor Palomar”, através das quais estamos construindo novas perspectivas da realidade. O AEE é fundamental na mudança do olhar sobre o aluno com necessidade especial, colocando em evidência sempre as suas possibilidades em detrimento de suas dificuldades, acolhendo-os como sujeitos únicos, individuais, com uma história, com suas capacidades e limitações, como todo e qualquer aluno. O trabalho deste atendimento tende a mostrar, com o tempo, que esta deve ser a perspectiva para a educação como um todo, não só para a educação especial.  A partir daí, construiremos um “novo modelo” escolar, ou seja, onde não haja modelos, mas sim uma realidade construída a partir de e para cada sujeito.
 
 
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Comunicação Alternativa de baixa tecnologia como recurso de aprendizagem e integração social


De acordo com a American Speech-Language-Hearing, a Comunicação Alternativa pode ser entendida como “o uso integrado de componentes, incluindo símbolos, recursos, estratégias e técnicas utilizados pelos indivíduos a fim de complementar a comunicação”. Estes recursos podem ser baixa ou de alta tecnologia. No primeiro caso, são utilizados gestos manuais, expressões faciais, pranchas de alfabetos e símbolos pictográficos. Os recursos de alta tecnologia baseiam-se em sistemas de comunicação tecnológica como comunicadores com voz gravada ou sintetizada, sistemas sofisticados de computador, softwares, dispositivos móveis ou outros recursos tecnológicos.

A Comunicação Alternativa é um recurso fundamental para a aprendizagem e socialização de indivíduos com dificuldades em comunicar-se. De acordo com Bez (2014), a escolha de um sistema de comunicação alternativa para sujeitos com déficits de comunicação e cognição, deve ir além das necessidades do usuário, levando-se em conta também os diversos contextos sociais e os sujeitos em interação com outras pessoas.

Neste sentido, os recursos de baixa tecnologia são uma excelente estratégia para o uso escolar, podendo ser utilizado não só com os alunos com déficits de comunicação mas também integrado ao planejamento de todo o grupo. Um exemplo de atividade que pode ser utilizada com alunos com TEA (transtorno do espectro autista), a partir da montagem de pranchas com símbolos pictográficos é a antecipação de rotina. Kanner (1943), em seus estudos, já observava que o senso de previsibilidade e controle sobre as situações facilita a adaptação e a aprendizagem de indivíduos com autismo e têm implicações para intervenções (Bosa, 2002). Pode ser utilizada com alunos de qualquer idade e por todos os professores que lidam com o aluno, no sentido de antecipar as rotinas escolares diárias em períodos de adaptação ou sempre que houver alteração da rotina normal. Na figura abaixo, exemplos de símbolos de atividades frequentadas pelo aluno em sua rotina escolar.

 

 

O professor de AEE pode orientar a família do aluno a utilizar também este recurso para antecipar eventos na rotina familiar.

Uma outra proposta de atividade seria um bingo, como no exemplo da figura, de formas geométricas. Este recurso pode ser utilizado com alunos de terceiro ano, por exemplo, e permitirá não só o trabalho com os conceitos de geometria, mas também a integração do aluno, já que se trata de um jogo e pode ser utilizado pelo professor de da classe comum com toda a turma, bem como pelo professor do AEE com pequenos grupos. O aluno poderá identificar a figura pelo nome, falado pelo professor ou a partir de descrições das características da figura (número de lados, número de vértices, se é bidimensional ou tridimensional, etc.) ou ainda por comparação com a forma de objetos de uso comum (lata de leite em pó, bola de futebol, chapéu do palhaço, etc.)

 

 

 

Referências:

BEZ, Maria Rosangela. Comunicação alternativa e TEA. Disponível em: http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=197

BOSA, Cleonice. Autismo: atuais interpretações para antigas observações. Disponível em: http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=197


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Conhecendo as semelhanças e diferenças entre Surdocegueira e Deficiência Múltipla (DMU)


 
Surdocegueira é um termo empregado para referir-se à condição de indivíduos que apresentam, concomitantemente, perdas auditivas e visuais, em diferentes graus. Contudo, não se pode imaginar que a surdocegueira seja uma simples associação das duas deficiências, mas sim, uma condição única em que o impacto de ambas as perdas não é aditivo, mas multiplicativo. Inclusive, o termo grafado sem hífen, é resultado de um processo de lutas, destes indivíduos e seus familiares, como ação afirmativa de reconhecimento da  surdocegueira como deficiência única, já que não se beneficiavam dos programas educacionais para pessoas somente com surdez e/ou de pessoas com deficiência visual.

De acordo com McInnes (1999) apud Bosco(2010), a surdocegueira se subdivide em quatro categorias:

·         Indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos;

·         Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos;

·         Indivíduos que se tornaram surdocegos;

·         Indivíduos que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de mundo. Nestes casos, é comum que apresentem deficiências associadas, como físicas e intelectuais.

Assim, estas categorias podem ser agrupadas em Surdocegueira Congênita e Surdocegueira Adquirida.E, dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu, pode-se classificar os indivíduos e Surdocegos Pré-lingüísticos ou Surdocegos Pós-lingüísticos.

A Deficiência Múltipla (DMU) é a associação de duas ou mais deficiências (física e psíquica; sensorial e psíquica; sensorial e física; física, psíquica e sensorial), que afetam o funcionamento individual e o relacionamento social.

E por que a surdocegueira não é considerada uma DMU?

A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular. Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. (MAIA, 2011)

De qualquer forma, para ambas as condições, é fundamental que a educação esteja voltada para o desenvolvimento da comunicação e da interação destes indivíduos com o ambiente e com outras pessoas. Deve ampliar o conhecimento do mundo ao redor, visando a autonomia e a independência.

Para tanto, o mundo da pessoa deve ser organizado através do estabelecimento de rotinas claras e de uma comunicação adequada, que se dê por meio de atividades multisensoriais, buscando o aproveitamento de todos os sentidos.

Podemos dividir a comunicação para estes indivíduos em receptiva e expressiva, para favorecer a eficiência da transmissão e da interpretação, e graduá-las por estágios (de pré-simbólicos, quando a comunicação acontece basicamente através de reações corporais, a simbólicos, quando já se torna possível o uso de nomes e/ou outras formas de representação para nomear objetos, ações, lugares, pessoas, etc.)

O importante é que todas as atividades sejam significativas para estes indivíduos e os motive. O estabelecimento de uma comunicação eficiente permitirá que se percebam no mundo, que são capazes de exercer controle, ainda que pequeno, sobre suas próprias vidas.

 

Referências:

 

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar- Fascículo 5: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010)

 

IKONOMIDIS, Vula Maria. Apostila sobre Deficiência Múltipla Sensorial, 2010 sem publicar

 

MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o Problema São Paulo, 2011

domingo, 30 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ


Historicamente, a educação escolar das pessoas surdas é marcada por embates e disputas a respeito da metodologia de instrução mais eficiente para as mesmas. Estas disputas sempre estiveram circunscritas ao aspecto da comunicação e ao ensino da língua, dividindo-se entre oralistas, gestualistas e bimodalistas (comunicação total). Cada uma a seu modo, estas correntes estiveram centradas na visão da surdez apenas sob o aspecto biológico da deficiência e, portanto, não lograram êxito de forma definitiva na educação e desenvolvimento da comunicação e integração social das pessoas surdas.

Ainda hoje essas disputas são responsáveis pela dificuldade de inclusão destas pessoas nas escolas regulares. Sob o entendimento da existência de uma cultura surda, defende-se que os mesmos têm comportamentos, valores, atitudes, estilos cognitivos e práticas sociais específicos, subjugados à uma cultura ouvinte e, por isso, o uso da Língua de Sinais deve ser valorizado em detrimento do desenvolvimento de uma oralidade e da Língua Portuguesa, especialmente a escrita. Por outro lado, a cobrança de uma produtividade em relação à linguagem oral e escrita tal como a dos ouvintes também é bastante limitadora.

 Nos dois casos ainda se pensa um tratamento da educação especial dicotomizado, como adaptação, integração a um grupo considerado padrão (normal). A educação e inclusão da pessoa surda deve levar em conta o indivíduo em sua singularidade, potencialidades, limitações, plasticidade, suas dimensões socioafetivas, cognitivas e culturais. Há que se levar em conta todo o contexto em que o indivíduo está inserido, além do grau da própria surdez e pensar numa educação que o contemple em sua individualidade.

 De acordo com Damázio (2010), a nova política de educação no Brasil vem tecendo fios direcionais que possibilitam superar uma visão centrada de homem, sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária. No caso do tratamento dispensado a pessoa com surdez, a legislação defende uma abordagem bilíngue. O Decreto 5.626 de 05 de dezembro de 2005 determina o direito a uma educação para estes sujeitos em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente escrita, constituam línguas de instrução, cujo acesso se dê de forma simultânea no ambiente escolar.

 Segundo a mesma autora, as práticas pedagógicas constituem o maior problema na escolarização das pessoas com surdez e propõe que

O trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Um período adicional de horas diárias de estudo é indicado para a execução do Atendimento Educacional Especializado. Nele destacam-se três momentos didático-pedagógicos: momento do Atendimento Educacional Especializado em Libras (...) momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras (...) e momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Língua Portuguesa. (DAMÁZIO, 2007)

O AEE em Libras objetiva trabalhar os conteúdos curriculares em Libras com os alunos, antecipadamente ao trabalhado na sala de aula comum. Este atendimento deve ser diário, no contraturno escolar. O ideal é que seja realizado por professores com domínio da Língua de Sinais. Deve contar com o uso de muitas imagens visuais, todo tipo de referência que facilite a compreensão dos conteúdos, além de recursos didáticos utilizados na sala de aula comum. Quando os conceitos são muito abstratos, recorre-se a outros recursos como teatro, por exemplo. A avaliação é feita através de registro do desenvolvimento dos alunos e de suas representações do conteúdo através de desenhos e gravuras.

O AEE de Libras visa o ensino da Língua de Sinais, respeitando suas especificidades. Ocorre diariamente, no contraturno escolar e deve ser ministrado por um professor/instrutor de Libras, preferencialmente surdo, para evitar o bimodalismo (mistura das Línguas de Sinais e Portuguesa). Este momento se inicia com o diagnóstico do conhecimento que o aluno já tem a respeito da Língua de Sinais. A partir daí, o trabalho é organizado de modo a privilegiar o estudo dos termos científicos a serem introduzidos pelo conteúdo curricular. Este momento do AEE também deve contar com muitos recursos imagéticos e todo tipo de referências que ajudem no aprendizado da Língua de Sinais. A avaliação é processual e visa observar a evolução conceitual de Libras, em específico, termos técnico científicos das várias ciências.

 O AEE para o ensino de Lingua Portuguesa visa o desenvolvimento de competências gramaticais ou linguísticas e textuais para que a pessoa surda seja capaz de participar ativamente de interações verbais, principalmente escritas, se apropriando dos diversos gêneros discursivos. Este momento do AEE acontece na SRM em horário diferente ao da sala de aula comum. O professor deve ser formado, preferencialmente, em Língua Portuguesa e conhecer os pressupostos linguísticos e teóricos que norteiam o trabalho do ensino de Português para pessoas com surdez. Este atendimento deve contar com uma diversidade de recursos visuais, amplo acervo textual com os mais variados tipos de situação de enunciação e deve ser iniciado desde a educação infantil, intensificando-se na alfabetização e prosseguindo até o nível superior. A avaliação é contínua e analisa o aprendizado e domínio do aluno em Língua Portuguesa.

 No Brasil, as experiências escolares que seguem esta abordagem ainda são muito recentes. Na prática, há muitos desafios a serem vencidos, especialmente o reconhecimento da escola como um espaço de diferenças, onde podem e devem coexistir de forma democrática, e a flexibilização e adequação das práticas pedagógicas de modo a se construir uma escola realmente inclusiva, para todos.

Referências:

DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.

DAMÁZIO, Mirlene F. M. Atendimento Educacional Especializado: pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS, 2007

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Importância dos Jogos para Alunos com DI


Os jogos são instrumentos que devem ser explorados na escola como um recurso pedagógico, pois além de desenvolver regras de comportamento, o jogo atua na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a criança consegue realizações numa situação de jogo, as quais ainda não é capaz de realizar numa situação de aprendizagem formal.

No caso de alunos com DI, os jogos são ótimas oportunidades para que o aluno construa significados a partir da mediação do professor e interação com seus pares.

Os jogos estimulam o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo da criança com deficiência intelectual. Brincando, ela tem a oportunidade de experimentar desafios, investigar e conhecer o mundo de maneira natural e espontânea.

O jogo a seguir é um exemplo de atividade interessante a ser desenvolvida não só com alunos com DI, mas com toda e qualquer criança: Perfil Júnior (Grow). Trata-se de um jogo comercial e funciona da seguinte forma: a cada cartela, 20 dicas sobre pessoas, personagens, coisas ou lugares para o jogador deduzir de quem é o PERFIL em questão. E quanto menos dicas utilizar para adivinhar, mais pontos irá ganhar.
         Este jogo estimula a atenção, memória, transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação.

·         Pode ser jogado com 2 a 6 jogadores

·         Trabalha principalmente a dedução

·         É recomendado para  a partir dos 7 anos

O professor de AEE pode adaptar o jogo para diversas situações e conteúdos de aprendizagem, confeccionando o seu próprio jogo, criando fichas com dicas que levem ao acerto da palavra oculta sorteada.




Referência: http://www.unijales.edu.br/unijales/arquivos/28022012095537_242.pdf

domingo, 8 de setembro de 2013

O QUE É TECNOLOGIA ASSISTIVA?


Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover Vida Independente e Inclusão.

É também definida como "uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências" (Cook e Hussey • Assistive Technologies: Principles and Practices • Mosby – Year Book, Inc., 1995).

No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006 propõe o seguinte conceito para a tecnologia assistiva: "Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" (ATA VII - Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) - Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) - Secretaria Especial dos Direitos Humanos - Presidência da República).

Os Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Os Serviços, são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos.

Recursos - Podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais, que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores especiais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente.

Serviços - São aqueles prestados profissionalmente à pessoa com deficiência visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistiva. Como exemplo, podemos citar avaliações, experimentação e treinamento de novos equipamentos. Os serviços de Tecnologia assistiva são normalmente transdisciplinares envolvendo profissionais de diversas áreas, tais como:Fisioterapia, Terapia ocupacional, Fonoaudiologia, Educação, Psicologia, Enfermagem, Medicina, Engenharia, Arquitetura, Design, Técnicos de muitas outras especialidades.

EXEMPLOS DE TA

Caderno de Madeira Imantado

Auxilia na coordenação viso-motora, na noção de parágrafo e espaço delimitado e na seqüenciação. Auxilia também na alfabetização e é utilizado por alunos que não possuem a coordenação motora fina para trabalhar com lápis e papel. Facilita movimentos de flexão e extensão de braços podendo ser utilizado na posição em pé, inclinada ou deitada sobre a carteira. Confeccionado para um aluno que não conseguia pegar as peças, mas conseguia empurrá-las. Ao cair nas canaletas o imã gruda na placa de latão.

 
Descrição:

Caderno confeccionado em madeira resistente, medindo 40 cm de largura por 60 cm de comprimento. Contém canaletas que representam as linhas do caderno. O espaço entre as canaletas pode ser variável dependendo da necessidade de cada aluno. Sob as canaletas é colocada uma placa de latão. O caderno é acompanhado por um abecedário de madeira e sob cada peça é colado um imã.

 

Para visualização da imagem do caderno, consultar a página 46 do material Recursos Adaptados:
 

ALADDIN MOUSE
Este aparelho permite, através de um mouse, a leitura ampliada de textos em um monitor. Indicado para pessoas com baixa ou muito baixa visão. Este aparelho é adquirido comercialmente. Abaixo suas descrições:

  • Ampliador Eletrônico de imagem com inversão de contraste;
  • Aumento de 15x a 25x dependendo do tamanho da tela;
  • Bi volt;
  • Aparelho Pb;
  • Fácil manuseio e ideal para viagem


 
 
 
 
 


domingo, 4 de agosto de 2013

O PAPEL DO PROFESSOR DE AEE NA ESCOLA INCLUSIVA


De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, a educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades e, através do atendimento educacional especializado (AEE), disponibiliza serviços e recursos próprios desse atendimento nas salas de recursos multifuncionais (SRM) e orienta alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular. O AEE tem como atribuições identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas.

O professor do AEE tem, portanto, papel fundamental na aproximação entre a escola comum e a educação especial. Através dos recursos da SRM este profissional busca complementar/suplementar a formação do aluno, reconhecendo suas necessidades e habilidades, propondo recursos específicos e estratégias de aprendizagem. Além disso, o professor de AEE desempenha o papel de articulador entre os diversos atores envolvidos na formação do educando (família, professores, coordenadores pedagógicos, gestores) e tem como objetivo promover sua participação com independência e autonomia nas turmas comuns do ensino regular. Esta articulação se dá, principalmente, através da proposição de estudos de caso e discussão dos planos de AEE com os membros da equipe escolar.

As etapas de construção de um estudo de caso constituem caminho fundamental para que o professor de AEE possa traçar uma estratégia eficaz de trabalho com o aluno especial, não só na SRM, mas na escola como um todo. As etapas permitem a investigação detalhada e a coleta de dados precisos sobre o histórico familiar e escolar do aluno, o olhar de todos que participam da sua vida, além de suas limitações e potencialidades, rejeições e preferências e, a partir deles, traçar um plano de ações que também envolvem não só o aluno, mas a família e a escola como um todo. Cabe ao professor do AEE, após todo esse estudo, conhecê-lo melhor, criar estratégias metodológicas e tecnológicas (instrumentos e materiais) que favoreçam sua aprendizagem e desenvolvimento, prestar assessoria aos professores de turma e de atividades quanto aos melhores procedimentos e estratégias pedagógicas. O plano de AEE favorece a reflexão, a tomada de decisões e avaliação do trabalho e do aluno; o quanto se conseguiu alcançar, se as estratégias propostas foram satisfatórias, o que deve ser reforçado, o que deve ser modificado, se o aluno já é capaz de novos desafios, enfim, é a base do trabalho do profissional e a garantia de um norte seguro. O plano contribui para que sejam evitadas práticas comuns na escola regular de ou subestimar o aluno ou, ao contrário, não levar em conta sua limitação no sentido de adaptar as estratégias pedagógicas e/ou assistivas para que seja possível que o mesmo alcance os objetivos propostos.